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13/09/2010

Trauma Original

O que podemos dizer se diante desse todo primitivo que em nós dorme, chamassemos o seu abandono, e a passagem à multiplicidade, de trauma original.

E, se o trauma original, a perda daquela plenitude, significasse alcançar a linguagem – o seu nascimento - e que a linguagem fosse a tentativa de pronunciar esse todo.

E, se diante do fracasso nessa enorme tarefa de ressituar o todo, o homem tentasse

1.negar, inconscientemente, que deseja esse todo, por que crê que o tem

2.ou negasse, inconscientemente, que teve esse todo, por que não crê que o mereça

3.ou jamais soubesse, nem inconscientemente, que perdeu esse todo

4. Não se conforma em saber, inconscientemente, que sabe não ter esse todo

Que existências supostas em discursos se geram diante disso?

1. Perversão

2. Melancolia

3. Psicose.

4. Neurose.

Só um ensaio de aproximação com questões já conversadas.

10/06/2010

O peso da existência é demais para meu joelho

O peso da existência pode ser pesado. Não no sentido de medido, mas de ser difícil de carregar.

Aprendi muito com meu joelho. Ele me ensinou. Me ensinou que passo a maior parte do tempo negligenciando que tenho um corpo.

Ele me dava a dor e a imobilidade, eu retribuia com o não-esquecimento e raiva.

Meu joelho me ensinou o valor de dar um passo. De passar adiante e do passado.

Me ensinou que preciso me recuperar para conseguir dar um passo a diante. Que era necessário passar pelo longo período de recuperação para poder voltar e ficar bem.

Aprendi com meu joelho que a natureza do meu corpo cuida de mim, mas que para isso, preciso ajudá-la.

Meu sábio joelho me ensinou a vê-lo como estando fora e depois a trazê-lo de novo para dentro (do corpo?)

Meu amigo joelho, me ensinou que o passado não precisa ser carregado no corpo. Que eu era livre para carregar o peso que achasse considerável e que para caminhar bem é preciso deixar alguns pesos para trás.

Boa recuperação, meu caro braço direito!