| Era un niño que soñaba un caballo de cartón. Abrió los ojos el niño y el caballito no vio. Con un caballito blanco el niño volvió a soñar; y por la crin lo cogía... ¡ Ahora no te escaparás! Apenas lo hubo cogido, el niño se despertó. Tenia el puño cerrado. ¡ El caballito voló! Quedóse el niño muy serio pensando que no es verdad un caballito soñado. Y ya no volvió a soñar. Pero el niño se hizo mozo y el mozo tuvo un amor, y a su amada le decía: ¿ Tú eres de verdad o no? Cuando el mozo se hizo viejo pensaba: todo es soñar, el caballito soñado y el caballo de verdad. Y cuando vino la muerte, el viejo a su corazón preguntaba: ¿ Tú eres sueño? ¡ Quién sabe si despertó! | Era um menino a sonhar com um cavalo de cartão. O menino abriu os olhos e não vui o cavalinho. Com um cavalinho branco ele voltou a sonhar; pelas crinas o prendia... Assim não te escaparás! Mal o conseguiu prender, logo o menino acordou. Tinha a sua mão fechada. O cavalinho voou! O menino ficou sério, pensando não ser verdade um cavalinho sonhado. Já não voltou a sonhar. E o menino fez-se moço e o moço teve um amor, e dizia à sua amada: Tu és de verdade ou não? Quando o moço se fez velho pensava: Tudo é sonhar, o cavalinho sonhado e o cavalo de verdade. E quando chegou a morte, o velho ao seu coração perguntava: Tu és sonho? Quem saberá se acordou! crédito da tradução: o canto da filosofia. |
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22/09/2010
Antonio Machado - Poeta Sevilhano.
24/05/2010
...Angoisse
Quem sabe passa ao escrever...
Angústia de onipotência poderia chamá-la: ela é causada pela mais pela minha incapacidade de ter prazer com as coisas legais do mundo que pela falta de graça no mundo. Talvez eu deva conviver mais com crianças, talvez eu deva gastar um pouco mais de dinheiro numa boa comida. Talvez eu deva ver mais os amigos.
Claro que nenhuma delas é solução se sou eu quem não consigo me adequar, contudo, sabe-se lá, se numa dessas situações encontro o alento até o proximo golpe.
A certeza que esse blog traz é a de não ficar só. De não falar ao vento. O conforto de ser lido é fundamental nesse blog. Ao menos para mim. Se não fosse alguém que me escuta, qual o sentido de falar? Como diz um psicanalista que gosto: "Como falar sem pressupor que haja algo a ser compreendido?". Parece que no ato discursivo há um "outro" de natureza nebulosa que é necessário. Esse outro pode ser meu interlocutor, em quem suponho um mundo compartilhavel; um mundo em que algum sentido pode ser vivido de forma semelhante. Sem esse outro, por que falar? Poderia calar e aguentar o silêncio eterno. Viver baixo a hipótese quase inverificável de que todas as pessoas são máquinas que respondem precisamente aos movimentos do meu pensamento que se tornam atos de fala ou corpóreos. Por que buscar algum sentido? Ou o que é pior, sem o sentido, como alcançar o outro?
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Recorro aos amigos para expressar um pouco da angustia acumulada de três dias sem sol. Essa angustia, como toda angustia, é causada pela proximidade de algo que não se consegue saber. Ela guarda seu segredo mais no movimento de sua aproximação do que na certeza que tenho de senti-la.Angústia de onipotência poderia chamá-la: ela é causada pela mais pela minha incapacidade de ter prazer com as coisas legais do mundo que pela falta de graça no mundo. Talvez eu deva conviver mais com crianças, talvez eu deva gastar um pouco mais de dinheiro numa boa comida. Talvez eu deva ver mais os amigos.
Claro que nenhuma delas é solução se sou eu quem não consigo me adequar, contudo, sabe-se lá, se numa dessas situações encontro o alento até o proximo golpe.
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A certeza que esse blog traz é a de não ficar só. De não falar ao vento. O conforto de ser lido é fundamental nesse blog. Ao menos para mim. Se não fosse alguém que me escuta, qual o sentido de falar? Como diz um psicanalista que gosto: "Como falar sem pressupor que haja algo a ser compreendido?". Parece que no ato discursivo há um "outro" de natureza nebulosa que é necessário. Esse outro pode ser meu interlocutor, em quem suponho um mundo compartilhavel; um mundo em que algum sentido pode ser vivido de forma semelhante. Sem esse outro, por que falar? Poderia calar e aguentar o silêncio eterno. Viver baixo a hipótese quase inverificável de que todas as pessoas são máquinas que respondem precisamente aos movimentos do meu pensamento que se tornam atos de fala ou corpóreos. Por que buscar algum sentido? Ou o que é pior, sem o sentido, como alcançar o outro?
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Se estivesse ao meu alcance nomear minha angustia diria que ela vem disso: da dificuldade de alcançar o outro e de imaginar que no outro é muito provável encontrar algo semelhante. Talvez a melhor forma de alcançar o outro é ver como ele torna real o seu mundo. Isso talvez seja a atividade do psicanalista. Estar presente e ser testemunha do momento em que o mundo torna-se algo sustentável para alguém e não mais uma boca afigurada como uma ameaça constante que pode tragar a vida das pessoas e arruinar o que aprendemos a amar.
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